Caminha em mim


Encontra-me

Rasga-me o corpo
Dilata-me a alma
Entra em mim

Caminha…

Unta meu espesso ser
Com tuas palavras, versos e áreas declamadas

Caminha…

Beija-me o interior do coração
Lambe o sangue que escorre de minha mão

Acaricia minha pele talhada pelo Sol
Remove o pólen
Deixado pela fantasia de minha vida

Afaga-me os cabelos delirados
E os lábios molhados

Caminha…

Aranha-diamante




Vestida de negro e caxemira
E com laivos de homicida
Espero um sinal de vida para te matar!
De desejo…
Com um beijo venenoso e viscoso

Qual aranha-diamante
Que depois de saciada
Assassina seu amante!

Quando te leio


A angustia estreita meu coração diminuto
Que num esgar de segundo
Bate em retirada
Para a cúpula da capela murada

Quando te leio
Perco a consciência
Da tua ausência
Sinto tua presença
Agarrada à minha garganta
Que num momento de loucura
Estrangula minha aura pura

Quando te leio
Meus seios enlouquecem
Meus lábios incendeiam-se
Minha saliva escasseia
Minhas mãos procuram as palavras
Rasgadas, decepadas, imitadas
Para te declamar

Viro-me do avesso…quando meu corpo te lê