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Desenlaço-me em tuas mãos
Como a terra sob os cascos dos animais em fúria

Tal é a penúria fingida
De dois corpos enterrados vivos
E solenemente adormecidos

Adormecidos pelos sons dos sinos
Que gracejam ao sabor dos tempos
Tomam em suas mãos
As alianças fustigadas pelos ventos

Bebem a melancolia
Servida em chotes de vida
Presenteiam-se com lábios ácidos
Que ensejam o melaço da morte

Enlaço-me na tua alegria
Tal é a sofreguidão desmedida
De dois corpos enterrados vivos
E solenemente adormecidos

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