
Aproveito a água salgada
Que cai de enxurrada
E humedeço a pena
Rígida e obscena
Escrevo sobre o papel
Retalhado pelos lamentos
Sussurrados em tropel
Escrevo e não compreendo
A indiferença espelhada
Nesta sebenta molhada
Com água benta santificada
Sinto náuseas em cada estrofe
Cada verso, cada vírgula
Em cada espaço em branco
Em cada página amorfa
As palavras criam raízes na folha seca
Não deixando transluzir
A vontade de prosseguir…de ir
E não voltar um dia para te ver partir

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